LAURA BACELLAR: O QUE É SER EDITOR (Parte 1)

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Nosso encontro foi numa tarde ensolarada do inverno que não houve este ano, nas imediações da ruidosa Praça da Sé, onde pregadores, camelôs e turistas se confundem. Às 18h ela daria a segunda aula para mais uma turma do curso “O Mercado de Trabalhos das Editoras”, promovido em agosto pela Universidade do Livro, braço educacional da Fundação Editora da Unesp.


Trocar Jornalismo por Editoração?

Comecei a trabalhar em 1983, ainda sem concluir o curso de Editoração, para o qual mudei porque entrei em Jornalismo e não gostei. Isso era coisa tão rara que o diretor da ECA (Escola de Comunicações e Artes da USP) me chamou para perguntar se eu tinha certeza do que estava fazendo. Afinal, Jornalismo tinha um diploma que valia alguma coisa e Editoração ninguém sabia o que era, como até hoje não sabe. Nunca mostrei esse diploma, não precisava dele. Uma tristeza. [Gargalhadas].


O que é ser editor

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Meu primeiro emprego foi como estagiária na Paz e Terra, com a Miriam Goldfeder, fui aprendendo e passei por várias editoras. E desde o começo notei que as pessoas não sabem o que é um editor. Acham que entre o autor e o público tem apenas a gráfica. Quando muito, um revisor. E não é assim. Supõe-se que, nas editoras, haja uma pessoa que faça uma triagem do que presta. E não é só uma questão de qualidade, mas de pertinência. Muitas vezes o editor escolhe algo que não é necessariamente bem escrito, maravilhoso ou profundo, mas é abrangente e, na visão dele, adequado àquele momento, refere-se a uma discussão atual na política, é relevante para um argumento a mais em alguma teoria, vai contribuir. O editor é a pessoa que tem uma visão muito ampla, sabe o que está acontecendo na cultura, o que é importante, o que determinado autor tem a dizer e julga se vale ou não a pena publicá-lo.

Publicação é investimento

A publicação requer investimento; é assim hoje, como era nos anos 1980 ou em 1650. Alguém tem de pagar para que aquilo que o autor delirou na casa dele vire um livro. Em geral esse investimento é feito com esse espírito de seletividade: é importante para determinado público, acredita que contribuirá o suficiente e as pessoas vão se interessar, querer ler e comprar. Por isso vai investir.


Não vende nem 2 exemplares!

O papel do editor continua esse, mas o que aconteceu?

Como os meios mudaram muito, primeiro um grande número de pessoas abriu empresas chamadas editoras, mas não são editores. Aliás, não têm a menor noção do que é ser editor e aprendem a duras penas. Publicam o que acham bonito, profundo, e descobrem que não vendem nada. Há muito livro bonito no depósito tanto de distribuidoras quanto de editoras. Por que essas pessoas, na minha opinião, não estão exercitando o músculo essencial do editor: a seleção. Mas não selecionar segundo seu gosto pessoal, e sim o que é pertinente ao público.

O editor tem de olhar para o público, e não para o autor ou para a obra. Esse olhar é difícil, um risco constante, porque se acredita que o público vai gostar disso ou daquilo e muitas vezes a avaliação está errada. Mas, se não olhar, a chance de acertar é mínima. E muita gente descobre isso ao publicar um livro maravilhoso, de autor nacional ou estrangeiro, com uma produção linda, uma capa bárbara, mas que não vende nem 2 exemplares. Tenho ouvido casos de venda de 10, 15 exemplares. Conclusão: são pessoas que estão se arriscando a fazer livros e descobrindo que precisam ser editoras, ou fechar a empresa.


Editor versus autor?

Há também muito autor se lançando na autopublicação, a onda da vez, que se irrita com o editor, porque acha que ele impede autores talentosos de chegarem ao mercado. Embora ridícula, tanto agora quanto nos anos 80, essa é uma versão reinante. Vi autores serem publicados sem pertencerem a panelinhas, sem QI, mas simplesmente porque tinham escrito algo que alguém julgou pertinente. Não sei quantos livros produzi que pertenciam a essa categoria: eram pertinentes.


Editora do minimamente razoável

Mas, agora, com essa profusão de editoras, encontrar uma que publique uma obra minimamente razoável não é tão difícil. E o problema é esse: a obra ser minimamente razoável. Vejo gente que publica suas obras e não faz nada: não pensa em público, não adequa o texto, não considera dar uma afiada na linguagem. Se é ficção, não olha os personagens, não enxuga, muitas vezes publica um texto ilógico, redundante. Se é não ficção, prende-se a tergiversações que não acrescentam nada. E o que acontece com os livros? Nada.


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Está aí o Clube dos Autores para provar. Em poucos anos de atividade ele já tem por volta de 20 mil obras publicadas, e algo em torno de 100 ou 200 que foram além de 100 exemplares vendidos. Não tenho o número exato, mas sei que é algo ridículo. Num universo de muitos milhares uma centena de livros passou do mínimo de 100 exemplares. Ou seja, as pessoas não estão sendo pertinentes ou não sabem se dirigir ao público.

A necessidade do editor

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Mais do que nunca é necessário um editor, mas estamos num mercado que não percebe isso. E não se trata só de competência, porque hoje – muito diferente dos anos 80 e 90 – o mercado está superlotado. O livro é bom, o autor é bom, o editor é bom, a editora em si é razoável, mas às vezes não se consegue entrar no mercado porque ele está hiperlotado.

Se olharmos para 10, 20 anos atrás, um livro razoável, de um autor razoável saía na mídia, era comprado, ia para uma segunda tiragem, alguém escrevia a respeito, tinha uma vida. Hoje pode acontecer de algo de qualidade decente não ter vida.

Como no mercado há excesso de obras não pertinentes, as pertinentes encontram dificuldade para mostrar a que vieram. E, hoje, em que o editor precisa pensar? Em algo em que não precisava antes. Isto é, além de a obra ser pertinente, como vai divulgá-la. Há essa pressão, uma conversa de procurar o autor com plataforma. Antes isso era opcional; atualmente é quase obrigatório.

Plataformas e pensamento editorial – o drama do livro mediozinho

Autor com plataforma é aquele que já tem um leitorado: dá palestra, aula, tem uma empresa na qual atende muita gente, ou tem uma presença significativa na internet com um blog ou uma coluna. O editor, que sempre foi obrigado a tomar decisões difíceis, muitas vezes hoje tem diante de si este dilema: entre um livro muito bacana de um autor sem plataforma e um livro não tão bacana de um autor com plataforma, acaba optando pelo segundo. E isso é dureza, porque, como estamos vendo, muitas vezes o que se publica é um livro bem mediozinho.

Há muitos livros mediozinhos na praça. Ou foi um erro, alguém não pensou direito, ou, quando se vê um livro mediozinho publicado por uma editora de verdade, percebe-se que houve sim um pensamento editorial. Só que esse pensamento, infelizmente, teve de se curvar ao mercado superlotado. Ou seja, é necessário procurar o autor que tenha alguma capacidade de penetração, de ser ouvido, lido, em que as pessoas prestem atenção. E isso pode ser muito triste.

Preconceitos dos editores: a causa de tantos equívocos

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Mas os editores brasileiros, por conta do preconceito, muitas vezes perdem várias oportunidades, e os autores, como querem ser Guimarães Rosa, não atingem ninguém. As pessoas não querem se movimentar com a seca, nem com as migrações, nem com o regionalismo; mas com a sexualidade, porque sexualidade incomoda, como as proibições, a religião.

O que é o O código Da Vinci? É religiosidade, vários símbolos mesclados, e isso mexe com as pessoas. Então faça algo pertinente, que fale para muitos, em vez de ficar escrevendo chatices para um público pequeno.

As pessoas não concebem o que é falar com um público não intelectual, não de elite. Quem consegue, é quem está na internet, mas fala muito mal. Às vezes até tem a sacada correta, mas sem qualidade suficiente para a obra funcionar. Ela precisaria passar por muitas etapas [editoriais]. E quem tem qualidade muitas vezes não tem a concepção do que vai ser importante.

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O livro não faz sucesso se não tiver no cerne algo que provoca, que é importante para muitos. Mesmo a literatura mais básica, mal coordenada, que é o caso de Cinquenta tons de cinza, supermal escrito e que se beneficiaria de uma edição, tem esse cerne. E muitas vezes nem é uma mensagem intelectual, mas emotiva. Quando pega milhões de pessoas, trata-se de algo que permanece. O editor tem obrigação de ver isso.


“Meu, quem é o editor dessa fulana para permitir isso?”

Vejo muita literatura que não toca um grande número de pessoas sendo publicada. Literatura experimental, difícil de ler. Outro dia li uma entrevista de uma autora que dizia ter escrito intencionalmente um livro bem difícil. Eu pensei: “Meu, quem é o editor dessa fulana para permitir isso?”. Não importa que seja bem escrito. Dificultar de propósito? Isso é idiotice.E há muita gente achando essa autora genial. Mas essa não é uma ideia genial. Não preciso nem olhar, esse livro não vai vender.

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O mercado está cruel; se você não eliminar seus preconceitos, morre com sua editora, e rapidamente! Porque achar que os outros deveriam querer ler determinada coisa é o erro fatal. As pessoas querem ler o que querem. Ponto. Querendo ou não, não há como interferir nisso. Pode-se até querer ser absolutista e impor uma cultura melhor, mas não rola.

E também deixar de ser paternalista que é exatamente o que se faz ao levar clássicos para as crianças. Tudo é tão variado que pode haver uns serzinhos que gostem, curtam, mas serão minoria. A maioria não vai ler. Mas, se levar Jogos vorazes, todos vai ler. O que seria bom? Um Jogos vorazes brasileiro, alguém que sacasse o que movimenta a moçada e fizesse algo condizente. Não o que acha que deveria. É o mundo como ele é, não como eu gostaria que fosse.

Um ideal bonito que na prática não funciona

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É preciso ver o leitor como ele é. E posso dizer isso, como editora, de cátedra, porque tenho uma editora que é a demonstração perfeita de como um ideal bonito na prática não funciona. A Malagueta é uma editora linda. Meus colegas editores dizem “Nossa, que bacana!”. Mas, na prática, se dirigir a mulheres homossexuais é genial? Não! E não se trata de um grupo pequeno; elas representam 10% da população, 9 milhões. Em tese eu me dirigiria a um público potencial de 9 milhões, o que não é ruim. Mas por que 9 milhões não compram os meus livros? Porque não querem. Quem compra os meus livros? Alguns 2, 3, 4 mil mulheres. E o resto? Os 8 milhões, novecentos e noventa... [Gargalhadas.]

E por que elas não querem? Não sei. Posso fazer várias análises, deduções, levantar mil hipóteses, mas o fato é: não querem. Por que, se quisessem, comprariam.

Vejo que pouca gente sabe o que é o trabalho do editor, do autor e o que é o público. Me esgoelo tentando explicar. Só que muita gente acaba descobrindo na prática. Vai lá, faz e táááááá... dá com a cara na parede. E aí pensa: “Opa, o público não é o que eu acho, é o que ele é. Acho bom fazer uma leitura certa, se não vou me ferrar no meu próximo livro”. Não adiante gastar com marketing, pôr na porta da livraria, porque, se não tiver gancho, não vende.

E isso vale também para a academia. Um livro sobre a Revolução Francesa pode ser interessante para os estudantes ou para os professores, que vão gostar, comprar, indicar; ou pode ser um livro chatérrimo, que ninguém vai querer, e aí vende 2 exemplares. Portanto, qualquer que seja o grupo, é necessário fazer uma leitura correta dele para que a obra seja pertinente.

O olhar do editor aumenta a vida útil da obra

Nos Estados Unidos os editores têm o olho mais treinado para a essência, para o significado da obra. Olham para um texto e veem que tem um cerne que vai funcionar, identificam o que atrapalha e o eliminam para ficar só com o cerne, seja em ficção, seja em não ficção. Esse olhar de editor aumenta a vida útil da obra, tirando o desnecessário, mesmo sendo bonito ou bem escrito. Ou acrescentando, porque acredita que o público vai querer mais daquilo. E pede ao autor: “Escreve mais um pouquinho”, porque está fazendo uma leitura do público. Pode até errar, mas, como o olhar é treinado, há mais acertos que erros. E esse treino nós não temos.


Se só dez pessoas acham excelente, não é tão excelente assim

E não temos porque talvez estejamos imersos numa cultura elitista, cheia de preconceitos, de olhares para o lugar errado, de elogiar o que não é pertinente. Há muita firula que desvirtua o olhar do editor.

Conheço editores sem-fim que reclamam que obras excelentes não andam e dizem que o governo deveria comprar. Também acho, mas o governo deveria comprar o livro pronto que achasse adequado, e não ficar enchendo a paciência dos editores.

Por outro lado, se alguém editou uma obra que apenas 10 pessoas acharam excelente, ela não é tão excelente assim. Há algum erro aí. Sou a primeira a reconhecer quando se cometem erros, já cometi vários. A gente erra, acha uma coisa e não era nada daquilo. Mas, como editor, tem de reconhecer o erro, e não ficar reclamando: “Puxa, não viram, não perceberam a importância, falta educação...”. É verdade, falta educação, falta tudo, mas o fato é que aquele livro não chegou lá.

Leio, logo sei editar

Já pensei várias vezes em montar cursos que mostrem como editar e fiz algumas experiências, mas essa consciência que mencionei antes as pessoas só passam a ter quando quebram a cara, porque acham que sabem editar. Elas não querem aprender a publicar livros. Assim como os autores acham que sabem escrever e não querem aprender a se dirigir a um público. Depois de se darem mal repetidas vezes, começam a pensar: “Preciso fazer algo”. Mas tem de haver esse processo, porque são arrogantes. Pensam assim: “Eu leio, claro que sei editar”. E aí se fodem. Depois que se fodem bastante, pensam: “Acho que não sei editar, está faltando alguma coisa”. Só então procuram um curso, mas esse não é um número grande. Primeiro vão lá e fazem.

A total falta de pensar no outro

Vejo vários colegas editores da Libre ujos comentários demonstram que não sabem nada em termos de pensar público. Não se trata de todos, claro; há gente que sabe sim, que tem experiência, tem ótimas ideias. Mas outros não sabem porra nenhuma.

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Uma vez a Libre promoveu uma Primavera dos Livros na Livraria Cultura da avenida Paulista – uma ótima ideia! –, onde os livros ficariam bem expostos. Excelente! Para atrair mais público, as editoras organizaram atividades durante a Feira. Muito bom!

Um dos eventos era “Leitura de poesia”. O fotógrafo foi cobrir e não tinha ninguém na plateia. Aí começou o chororô. “Ninguém quer saber de cultura, um evento tão bacana”. Entrei na discussão e ponderei: “Gente, quem sai de casa numa sexta-feira, às 10 da manhã, para ouvir poesia, se não sabe poesia de quem, lida por quem. Um programa vago, num horário idiota. Vocês iriam?”. Silêncio.

É a total falta de pensar no outro. E é tão óbvio. Fiquei escandalizada de ter de dizer o óbvio. E é desse jeito que publicam livros.

Outro exemplo: uma profissional com muita experiência, que trabalhou em grandes editoras, publicou literatura estrangeira que, na minha opinião, não dizia nada a ninguém. As pessoas querem saber da literatura desse país longínquo? Você teria de ler o livro e dizer: “Nossa, é superlegal, maravilhoso”. Mas um autor completamente desconhecido, um romance familiar lá do outro lado do mundo, dos anos 1950? Não tem o menor apelo. Se ainda estivesse falando da Primavera [de Praga], da revolução, vá lá. Mas, sem gancho, quem vai ler? E por quê?

Mesmo editores com grande bagagem, que foram a Frankfurt milhares de vezes, já mexeram muito com livros, incorrem nesse erro básico. Mesmo quem tenta encontrar nichos precisa ser pertinente, porque sem pertinência seu nicho está morto. É preciso ver aqueles que movimentam as pessoas. Os nerds, por exemplo, são um nicho interessante. Há muitos com um monte de preocupações, então faz sentido falar das coisas relevantes pra eles. Mas trata-se de falar de coisas que façam sentido para as pessoas, não pra você.

Seleção numa editora top

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Trabalhei na Brasiliense num tempo em que ela era a editora, totalmente top, e o editor era o Caio [Graco Prado]. Eu via que muitas obras nem sempre tinham essa preocupação. O Caio dizia: “Nossa, isso aqui é muito legal, tá falando de coisas atuais”. Ele tinha essa visão, mas às vezes também caía em armadilhas. “Ah, esse autor é importante”. O autor pode ser importante, mas, se não diz nada de relevante, não adianta. Ou achar que determinada área é muito importante. Quando a obra não é significativa na área, não interessa. E muitas vezes ele incorria nesse erro, apesar de ter toda aquela cancha.

Eu era editora-assistente, participava das reuniões editoriais, ouvia as discussões, quando muito dizia o que achava, mas não decidia. E essa experiência foi muito interessante e ajudou a consolidar a minha visão. Produzia-se muito, 10, 15 livros por mês, de todo tipo, e eu sempre pensando com meus botões: “Esse livro aí, não sei, não. Estou achando-o meio besta”.


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Marcelo Rubens Paiva e Gilberto Dimenstein – exemplos de pertinência para seu público

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Em 1996 voltei a trabalhar na Brasiliense como editora-chefe e os livros publicados antes ainda estavam no mercado. Então pude abrir as planilhas de venda para ver o que tinha acontecido, e estava certa a maior parte do tempo. Ou seja: autor importante e obra não importante, nada acontece, mesmo numa editora top no mercado.

Assunto importante, mas obra que não o aborda de forma adequada, também não funciona. E estávamos falando de história, sociologia, dos [professores] top da USP. Vi isso demonstrado: a qualidade da escrita, ou da pessoa, não quer dizer nada. Se não houver pertinência, adiós. E vi autores relativamente fracos em conteúdo, vide Marcelo Rubens Paiva, matando de vender com Feliz ano velho. Por quê? Pertinência para o público jovem da época. Produzi vários livros dele; eram deficientes em termos literários, mas não em termos de falar com seu público.

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Já o Gilberto Dimenstein é o perfeito exemplo do autor com plataforma que não tem tanto conteúdo assim. Ele é um cara com um olho bom para temas, para saber de que lado fica da discussão, aliás, nisso ele é impecável, e consegue se alinhar com o politicamente correto aos olhos do público quase sempre nas questões mais cabeludas, mas não é um cara supercompetente. Você vai ler o que ele acha de verdade, é fraquinho. Mas ele tem um olho bom para os assuntos e tem uma plataforma. Fala e as pessoas leem, levanta o tema, as pessoas querem ler, chama gente para dar palpite, os leitores dão palpite. Digamos que ele inventou a plataforma no Brasil. O Dimenstein é o perfeito exemplo daquilo que o editor é quase obrigado a fazer. É obrigado a publicar Dimenstein. Porque é pertinente. Ele é o perfeito exemplo do que o editor é obrigado a fazer: ­publicar porque é pertinente.

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Laura Bacellar ocupou todas as funções editoriais – de produtora na Hemus a editora-chefe na Brasiliense. Fundou e dirigiu o primeiro selo editorial inteiramente dedicado às minorias sexuais, Edições GLS. Já foi editora em casas pequenas, como a Mercuryo, e grandes, como a Scipione. Sua especialidade é não ficção, mas edita também paradidáticos, literatura adulta, literatura infantil e interesse geral. Escreveu três livros como ghostwriter e um com seu próprio nome Escreva seu livro – guia prático de edição e publicação, pela Editora Mercuryo. Adaptou cinco clássicos do inglês, Robinson Crusoéo, Drácula, Sherlock Holmes, Frakenstein e Rei Artur, para a editora Scipione, e escreveu uma outra obras infantil, Mini Larousse da educação e do trânsito, para a Larousse do Brasil, em 2005. Mantém o site www.escreveseulivro, bastante usado por editoras para instruir autores que as procuram. Atualmente, trabalha como free-lancer para várias grande editoras.

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